Dr.ª Sandra Rubia da Silva

Internet, smartphones e periferias urbanas: consumo, práticas e representações em torno da tecnologia no cotidiano de grupos populares (em andamento desde 2016)

Descrição: este projeto dá continuidade a trabalhos de pesquisa anteriores desenvolvidos nas cidades de Florianópolis, Rio de Janeiro e Santa Maria. A análise dos dados destas pesquisas revelou que a tecnologia é considerada uma necessidade, especialmente no que se refere a oportunidades de acesso à educação e emprego. Entretanto, o alto custo dos serviços de internet e telefonia móvel faz com que o acesso não necessariamente resulte em uso regular. Concluiu-se que os principais usos da internet e dos telefones celulares estão relacionados ao fortalecimento de vínculos pessoais e familiares; às lutas por reivindicações de direitos dos moradores e de visibilidade contra o preconceito às minorias; à vivência da religiosidade; à busca por educação e geração de renda, por saúde e segurança; e ao entretenimento. A partir das experiências de trabalho de campo nessas localidades, pretendo neste projeto ampliar a pesquisa de caráter etnográfico e comparativo, aprofundando questões anteriores e incluindo a proposta de uma etnografia virtual das redes sociais de moradores da comunidade do Cantagalo e Pavão-Pavãozinho, no Rio de Janeiro, com quem mantenho contato por redes sociais deste trabalho de campo anterior realizado naquela cidade em 2011. Desta forma, em termos gerais, este projeto tem como objetivo investigar como os habitantes de periferias urbanas nas cidades de Santa Maria - RS, Florianópolis - SC e Rio de Janeiro - RJ estão incorporando o uso da internet e dos telefones celulares ao seu cotidiano e às suas experiências de vida. Entretanto, para além de aspectos técnicos e econômicos (que também são importantes) o projeto visa, especialmente, analisar tais usos em uma perspectiva social e cultural. O principal foco de interesse será analisar até que ponto o acesso à Internet e o uso de telefones celulares e smartphones propicia aos moradores da periferia destas cidades oportunidades de se sentirem incluídos socialmente e de se pensarem como cidadãos portadores de direitos. O problema de pesquisa que nos mobiliza pode ser exposto nestes termos: quais são as formas de consumo, as práticas socioculturais e as representações relacionadas aos smartphones e à internet (e, especialmente, aos sites de redes sociais) acionadas pelos moradores de periferias urbanas das três cidades pesquisadas em seu cotidiano com a tecnologia? Tomando este problema como norte, interessa-nos também investigar, nessa perspectiva, em qual medida tais tecnologias de comunicação e informação propiciam ou obstruem formas de inclusão e participação cidadã. Nossa proposta é a de conjugar um marco teórico que reconheça a importância dos estudos em desenvolvimento e inclusão digital, mas que traga também a contribuição dos estudos antropológicos do consumo, em especial o consumo de tecnologia, que o consideram uma prática social e cultural. Ao enfatizar tal horizonte teórico, este projeto sublinha o interesse pela investigação do tema da experiência cotidiana com a tecnologia por grupos de camada popular, em termos de seu consumo, suas práticas e representações, bem como das possibilidades de inclusão e participação cidadã - de uma perspectiva não somente econômica, mas também social e cultural em relação aos usos, apropriações e expectativas sobre a tecnologia no cotidiano dos moradores da periferia. Por outro lado, o projeto busca contribuir com o debate em torno dos desafios e possibilidades que cercam o fenômeno da crescente penetração da internet e dos telefones celulares nas periferias, bem como de sua importância para o exercício da cidadania e a busca por direitos.


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